Cidade do interior de SP tem 4ª morte por febre maculosa; veja sintomas
25/09/2026
(Foto: Reprodução) A doença infecciosa é transmitida através do carrapato-estrela infectado e para a qual não há vacina
G1
Araras (SP) confirmou a quarta morte por febre maculosa em 2026. A vítima é uma mulher de 49 anos, que morreu no dia 13 de setembro. O caso foi confirmado pela Secretaria Municipal da Saúde nesta quinta-feira (24). A doença é transmitida pelo carrapato-estrela. (Veja os sintomas abaixo).
Segundo a Prefeitura, a mulher recebeu atendimento inicialmente no Hospital Pró-Saúde, foi transferida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, para a Santa Casa.
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De acordo com a Vigilância em Saúde, os sintomas já estavam avançados quando ela recebeu atendimento.
Equipes de Zoonoses e da Vigilância Epidemiológica informaram que a vítima morava a cerca de 200 metros de uma área de mata onde há presença de capivaras, no Parque Tiradentes. O local também é o mesmo bairro da 3ª vítima da cidade.
Em janeiro, duas crianças, de 8 e 9 anos, morreram pela doença na cidade. Em agosto, uma mulher de 52 anos também morreu.
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Bairro e capivaras
De acordo com o médico Rodrigo Klein, da Vigilância em Saúde, a investigação apontou que a mulher não costumava frequentar a região de mata e a família também não havia percebido carrapatos nela.
A Vigilância trabalha com a hipótese de que animais domésticos que circulam pela área possam ter levado carrapatos para dentro do bairro.
“A gente acredita que o animal doméstico está trazendo para dentro do bairro o carrapato contaminado com a riquétsia, com a bactéria da febre maculosa", afirmou.
Vnão tinha comorbidades
Ainda de acordo com a Vigilância em Saúde, ela começou a apresentar os sintomas e passou por atendimento em um hospital particular e, depois, em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Por último, foi encaminhada para a Santa Casa, mas morreu no dia 13 de setembro. A mulher não tinha comorbidades e, segundo o município, já apresentava sintomas avançados da doença.
O médico Rodrigo Klein, da Vigilância em Saúde, informou que reconhecer os primeiros sintomas e iniciar o tratamento rapidamente é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência.
“Prestar atenção nesses sintomas iniciais é muito importante porque, quanto mais rápido se suspeitar e entrar com o tratamento, maior a chance de sobrevida, de sobreviver e de salvar o paciente. Se demorar alguns dias, dois, três dias, passar várias vezes em atendimento, não ter essa história de carrapato, não estar com o tratamento correto, a chance de sobreviver vai diminuindo", afirmou.
Nova avaliação de carrapatos
Representantes da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), do Governo do Estado de São Paulo, estiveram em Araras nesta quinta-feira (24) para realizar novas avaliações acarológicas, procedimento utilizado para monitorar a presença de carrapatos. Os trabalhos continuam nesta sexta-feira (25).
A equipe instala armadilhas com gelo seco em locais onde há suspeita da presença de carrapatos. O dióxido de carbono liberado pelo gelo seco ajuda a atrair os animais. Em seguida, um pano branco é colocado na área para facilitar a visualização dos carrapatos.
Quando são encontrados, os carrapatos são recolhidos e identificados pela Vigilância Epidemiológica. A partir dos resultados, outras medidas preventivas podem ser adotadas, como a sinalização dos locais.
A equipe estadual já havia realizado uma avaliação em diferentes áreas de Araras em fevereiro.
Prefeitura intensifica ações
Área de risco para febre maculosa em Araras (SP)
Reprodução/EPTV
Segundo a Prefeitura, desde o início do ano foram intensificadas as ações de combate e prevenção à febre maculosa.
Uma força-tarefa reforçou a roçagem e a pulverização de áreas com mato alto. Também foram realizadas apreensões de animais de grande porte soltos, além de notificações e aplicação de multas em terrenos com mato alto.
A Secretaria da Saúde também instalou placas para alertar sobre a presença de carrapatos.
Sintomas
Os principais sintomas da febre maculosa são febre, dor de cabeça, náuseas e vômitos, diarreia, dor abdominal e muscular, além de inchaço e/ou vermelhidão nas palmas das mãos e nas solas dos pés.
Os sintomas podem aparecer entre dois e 14 dias após a infecção. A orientação da Secretaria da Saúde é procurar atendimento médico rapidamente em caso de suspeita.
A febre maculosa é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia, transmitida por carrapatos infectados.
O médico Rodrigo Klein explicou que como os sintomas são genéricos, é muito importante relatar se a pessoa frequentou área de mata, ou mora próximo a região com mato ou capivaras.
“O principal é febre, por isso chama febre maculosa. E vêm os outros sintomas, que às vezes confundem com outras coisas. É muito sintoma genérico: febre, dor de cabeça, náusea. Por isso que é importante a pessoa ou a família contar sobre os hábitos da pessoa, onde circulou, onde mora, se tem área de mato, se frequentou área de mato, nos últimos 14 dias do início dos sintomas", disse.
Segundo a Prefeitura, a transmissão pode ocorrer em diferentes fases do ciclo de vida do carrapato: no estágio larval, conhecido como micuim; na fase de ninfa; e na fase adulta, conhecida como carrapato-estrela.
A Prefeitura orienta que sejam evitadas áreas de mata, locais úmidos, trilhas e regiões com acúmulo de folhas secas e gravetos. Em caso de permanência nesses ambientes, a recomendação é usar botas, calças e blusas de manga longa, preferencialmente de cores claras.
Ações preventivas
Ficar atento nas áreas sinalizadas com placas. Se passar por algum local sinalizado e apresentar sintomas da doença de dois a 14 dias, procurar atendimento médico e informar sobre o possível contato com o carrapato;
Manter áreas verdes com a grama cortada rente ao chão e remover as folhas. O carrapato se prolifera em ambientes úmidos – embaixo das folhas, por exemplo - e prefere as partes altas do mato;
Utilizar repelente com icaridina se for trabalhar ou visitar uma área verde como praças, parques, sítios, fazendas ou regiões rurais;
Se visitar um local assim, buscar por carrapatos no corpo ao voltar para casa. Eles costumam ficar em lugares onde a pele é mais fina e úmida, como axilas, virilha e atrás da orelha.
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