VÍDEO: Coroinha surda recebe primeira comunhão em Libras em paróquia no interior de SP
08/01/2026
(Foto: Reprodução) Coroinha surda realiza sonho ao receber Primeira Comunhão em Libras em São Carlos
A coroinha Maria Vitória Campos, conhecida como Mavi, de 15 anos, viveu um momento histórico e emocionante ao receber a Primeira Eucaristia em Libras na Paróquia São João Paulo II, no Jardim Embaré, em São Carlos (SP).
Surda e não oralizada, ela recebeu a comunhão por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras), em celebração conduzida pelo padre Juliano Carlos Alécio.
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O momento aconteceu no dia 3 de janeiro e foi registrado em vídeo, que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, com mais de 275 mil visualizações e mensagens de emoção e reconhecimento pela atitude de inclusão da comunidade paroquial.
Segundo a mãe de Mavi, Dayane Fernanda Rodrigues Campos, enfermeira em Saúde Mental Infantojuvenil, a Primeira Comunhão representa o fim de uma longa jornada marcada por desafios.
“Foi um sonho realizado, uma vida inteira de buscas e lutas. Enquanto a maioria das crianças faz a Primeira Eucaristia aos 9 ou 10 anos, a Mavi precisou esperar até encontrarmos uma paróquia e uma intérprete que tornassem isso possível. Foram muitas barreiras, mas graças a Deus conseguimos”, contou.
Dayane disse ainda que o padrasto de Mavi, Renato, também é surdo e não teve as mesmas oportunidades de inclusão dentro da Igreja.
"Somos muito gratos à comunidade, porque sabemos que nem todos tiveram ou têm essas chances”, comentou.
Maria Vitória Campos, a Mavi, de 15 anos, viveu um momento histórico e emocionante ao receber a Primeira Eucaristia em Libras
Arquivo pessoal
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Comunidade pastoral mobilizada
Day contou a inclusão passou a ser uma preocupação constante na paróquia. Catequistas e fiéis se mobilizaram para garantir que Mavi e o padrasto pudessem participar plenamente da vida religiosa.
No ano passado, a paróquia formou uma turma para aprender Libras, permitindo que membros da comunidade se comunicassem diretamente com pessoas surdas.
Maria Vitória Campos, a Mavi, de 15 anos, durante a comunhão em libras em São Carlos
Arquivo pessoal
“A empatia é o diferencial da nossa paróquia. Surdos são pessoas como qualquer outra e têm os mesmos direitos de participar de tudo. Separar em grupos não é incluir, é segregar. Daí a importância de todos da comunidade aprender a língua de sinais”, comentou Dayane.
Hoje, além de receber a Primeira Comunhão, Mavi participa de encontros de jovens, é coroinha e deve receber o sacramento da Crisma em fevereiro.
Vídeo emocionante
De acordo com a mãe, o vídeo da celebração despertou a atenção de pessoas surdas de várias regiões do país.
“Muitas pessoas surdas ficaram admiradas. Quando me perguntam se acredito que isso possa mudar algo, eu respondo que é o que eu espero, que as pessoas se sensibilizem e percebam que é possível. Cada um fazendo um pouquinho, muita coisa muda”, disse.
Acolhimento sempre
O padre Juliano Carlos Alécio ressaltou que a inclusão não foi uma iniciativa isolada, mas uma resposta natural à necessidade da comunidade.
“A Maria e a mãe sempre participaram da paróquia. A comunidade abraçou, ama e inclui. A gente sabia que ela precisava fazer a catequese e receber a Eucaristia em Libras. Como fazer, a gente não sabia. Mas fez acontecer”, afirmou.
Segundo o pároco, a inclusão deve ser vista como algo essencial dentro da Igreja.
“Isso não deveria ser algo extraordinário. Deveria ser o nosso ‘arroz com feijão’. Principalmente na Igreja. Que isso sirva de reflexão também para a formação dos futuros padres”, disse.
O sacerdote reforçou que o acolhimento deve partir da compaixão, e não do olhar de pena.
“Não é olhar para o outro como coitadinho. É uma vida, uma alma igual à minha. Criatura de Deus. A gente precisa se colocar no lugar do outro e fazer o possível para que ele viva aquilo que é básico”, afirmou.
Desafios e aprendizados
Para o padre Juliano, o maior desafio da paróquia tem sido o aprendizado da Libras, um processo que ele considera transformador.
“Eu sei o básico do básico, mas temos um grupo que já estuda há mais de um ano e até a possibilidade de abrir uma nova turma. Foi um desafio que a comunidade abraçou e que ensinou algo fundamental, todos somos iguais”, concluiu.
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